[Artigo] Envelhecimento e saúde.

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Envelhecimento e saúde

A população idosa vem crescendo a cada década. De acordo com dados do IBGE, publicados em 2011, no ano de 1991, 4,8% dos brasileiros eram idosos; no ano 2000 esse número cresceu para 5,9% e em 2010 subiu para 7,4% da população brasileira. Estima-se que em 2030 o Brasil possua 32 milhões de idosos, ou seja, cerca de 14% da população. É importante frisar que no Brasil o individuo é considerado idoso quando completa 60 anos de idade, porém o IBGE tem considerado como idosos apenas os maiores de 65 anos. 1–4

No entanto, conseguir viver por mais tempo, nem sempre é sinônimo de viver melhor. A velhice pode estar associada ao sofrimento, aumento da dependência física, declínio funcional, isolamento social, depressão e improdutividade, entre outros fatores que não representam significados positivos.5

Conforme os indivíduos envelhecem, as doenças não transmissíveis transformam-se nas principais causas de morbidade, incapacidade e mortalidade em todas as regiões do mundo. As principais doenças crônicas que afetam os idosos são: doenças cardiovasculares, hipertensão, diabetes, câncer, doença pulmonar obstrutiva crônica, doenças musculoesqueléticas (como artrite e osteoporose), doenças mentais (como demência e depressão), cegueira e diminuição da visão.6

Segundo Ferreira et al.3,5 o “Envelhecimento” pode ser conceituado como um conjunto de modificações morfológicas, bioquímicas, fisiológicas e psicológicas, que determinam a perda progressiva da capacidade de adaptação do indivíduo ao meio ambiente, sendo considerado um processo dinâmico e progressivo. O declínio das funções orgânicas no envelhecimento tende a aumentar com o tempo, num ritmo que pode variar de um órgão para outro e também entre pessoas da mesma idade.3

Esses declínios físicos e fisiológicos pertinentes à idade avançada somados a ausência de atitudes preventivas, por desconhecimento ou falta de oportunidades reduzem a qualidade de vida do idoso.6

Uma das principais consequências do envelhecimento é a perda progressiva da capacidade funcional, que pode ser definida como a manutenção da capacidade de realizar Atividades Básicas da Vida Diária (ABVD) e Atividades Instrumentais da Vida Diária (AIVD), necessárias e suficientes para uma vida independente e autônoma. A perda da capacidade funcional resulta em restrições, perda de habilidades, dificuldade ou incapacidade de executar funções e atividades relacionadas à vida diária.5

Esse conjunto de alterações (fisiológicas e patológicas) pode tornar o idoso dependente, necessitando da ajuda de terceiros. Entretanto, a dependência não é um estado permanente, mas sim um processo dinâmico, cuja evolução pode se modificar e até ser prevenida ou reduzida, se houver ambiente e assistência adequados.7 Manter os idosos independentes é o primeiro passo para uma melhor qualidade de vida.

A prática da atividade física é considerada uma das maiores conquistas da saúde pública. Entende-se como saúde pública a ciência e a arte de evitar doenças, prolongar a vida e desenvolver boa disposição física e mental dos seres humanos. Porém praticar outros tipos de atividade, e não apenas atividade física, pode colaborar para melhorar a capacidade funcional, pois possibilita fortalecimento de vínculos familiares, de amizade, de lazer e sociais, gerando maior inserção na comunidade e com isso melhoria na qualidade de vida.5

Para Teixeira8 “Envelhecimento bem-sucedido” engloba 3 componentes principais: baixa probabilidade de doença e incapacidade, alta capacidade funcional física e cognitiva e engajamento ativo com a vida.

Referência Bibliográfica

1 – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) [Internet]. Censo 2010. 2011 [acesso em 13 out. 2014]. Disponível em: www.ibge.gov.br

2 – Wong L, Carvalho J. O rápido processo de envelhecimento populacional do Brasil: sérios desafios para as políticas públicas. R Bras Est Pop. 2006;23(1):5–26.

3 – Ferreira O, Maciel S, Silva A, Santos W, Moreira M. O envelhecimento ativo sob o olhar de idosos funcionalmente independentes. Rev Esc Enferm USP. 2010;44(4):1065–9.

4 – Freitas M, Queiroz T, Sousa J. O significado da velhice e da experiência de envelhecer para os idosos. Rev Esc Enferm USP. 2010;44(2):407–12.

5 – Ferreira O, Maciel S, Costa M, Silva A, Moreira M. Envelhecimento ativo e sua relação com a independência funcional. Texto Contexto Enferm. 2012;21(3):513–8.

6 – World Health Organization. Envelhecimento ativo: uma política de saúde. Brasilia (DF): Organização Pan-Americana da Saúde; 2005.

7 – Caldas C. Envelhecimento com dependência: responsabilidades e demandas da família. Cad Saúde Pública. 2003;19(3):773–81.

8 – Teixeira I, Neri A. Envelhecimento bem-sucedido: uma meta no curso da vida. Psicol USP. 1999;19(1):81–94.

Obs: Esse artigo é parte da minha dissertação de mestrado.

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Veja também esse artigo – Exercício aeróbio e envelhecimento

Obrigado por ter lido até aqui.

Grande abraço,

Helio M. Gerth

 

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